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Torcedora argentina é presa por racismo no Maracanã

De acordo com a Polícia Militar pelo menos oito pessoas foram conduzidas após a briga que se formou na arquibandada

Torcedora argentina presa no Maracanã | Bruno Murito
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Uma torcedora argentina foi presa na noite desta terça-feira (21) suspeita de racismo durante uma partida do clássico Brasil x Argentina, no Maracanã. No decorrer do jogo ainda ocorreram brigas generalizadas e empurra-empurra nas arquibancadas.

A acusação de racismo recaiu sobre a mulher em relação a uma funcionária de uma empresa terceirizada no estádio. Testemunhas afirmaram que a vítima foi insultada com a expressão "pedaço de macaco". A torcedora foi conduzida ao Juizado Especial Criminal (Jecrim) do estádio e está programada para prestar depoimento às autoridades brasileiras.

Confusão generalizada

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Pelo menos oito torcedores foram conduzidos ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), sendo que dois deles necessitaram de atendimento médico em decorrência da briga. Até o último update desta reportagem, não havia informações sobre a permanência ou a liberação desses detidos.

Minutos antes do início do clássico sul-americano, torcedores do Brasil e da Argentina entraram em confronto nas arquibancadas do Maracanã. A contenda teve início durante a execução dos hinos nacionais, no setor ocupado pelos fãs argentinos, situado atrás de um dos gols do estádio. Não havia separação entre as duas torcidas.

Após um pequeno foco de conflito entre torcedores das duas seleções, a situação escalou para confrontos intensos entre policiais e argentinos. Assentos foram arrancados e lançados nas arquibancadas. A ação policial inicialmente demorou a ser implementada, mas posteriormente foi conduzida com vigor.

Após alguns minutos, os jogadores em campo perceberam a problemática. Os argentinos, que se preparavam para a foto oficial, correram em direção às arquibancadas para tentar conter a confusão, assim como Marquinhos, capitão da Seleção. Para escapar da ação policial, os torcedores argentinos se deslocaram para o lado esquerdo, causando pânico em outra parte da torcida brasileira, que inicialmente não estava envolvida no tumulto e ficou comprimida.

O tumulto resultou em alguns torcedores brasileiros pulando o muro e invadindo o campo. Às 21h37, os jogadores argentinos optaram por se dirigir aos vestiários. Solicitaram um intervalo de 15 minutos para acalmar a situação nas arquibancadas e retornaram ao campo exatamente às 21h52.

Enquanto o jogo estava em andamento, os policiais formaram uma barreira humana no setor Sul para manter separadas as duas torcidas. O coronel Vagner Ferreira, comandante do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádio, responsabilizou a organização da partida pela falta de segregação entre as torcidas. Ele sustenta que a polícia agiu de maneira apropriada.

“A toda ação corresponde uma reação. Existe um histórico de torcidas que têm um enfrentamento maior com os órgãos de segurança. Inicialmente, se utilizou da verbalização. Posteriormente, a gente teve que utilizar o bastão. Não houve uso de material não letal, como balas de borracha. Não houve utilização de gás, a gente foi bem técnico”, disse o coronel ao sportv.

O que disse a CBF

“A Confederação Brasileira de Futebol vem prestar os seguintes esclarecimentos sobre os incidentes ocorridos no jogo Brasil x Argentina, realizado nesta terça-feira 21/11/2023, no Maracanã, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2023.

É importante esclarecer que a organização e planejamento da partida foi realizada de forma cuidadosa e estratégica pela CBF, em conjunto e em constante diálogo com todos os órgãos públicos competentes, especialmente a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Todo o planejamento do jogo, em especial o plano de ação e o de segurança, foram sim debatidos com as autoridades públicas do Rio de Janeiro em reuniões realizadas entre as partes.

Os planos de ação e segurança foram aprovados sem qualquer ressalva ou recomendação pelas autoridades de segurança pública presentes (Polícia Militar RJ, SEPOL, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Guarda Municipal, CET-RIO, Subprefeitura, Concessionária Maracanã, SEOP, etc.), dentre as quais a Polícia Militar do RJ, na primeira reunião realizada na sede da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), no dia 16 de novembro de 2023, às 11:00h. Além dos planos de ação e segurança, os participantes da reunião trataram também de toda a montagem da operação da partida, contando com a participação de todas as partes diretamente envolvidas e responsáveis pela organização da partida e autoridades públicas.

Na segunda (20), o plano operacional para o jogo foi igualmente aprovado sem qualquer ressalva ou recomendação na reunião realizada no Estádio Maracanã, com a presença da CBF, representantes da CONMEBOL, da Polícia Militar RJ, das empresas responsáveis pela operação do Maracanã, e que operam mais de 70 jogos no estádio por ano, e outras autoridades públicas.

A realização da partida com torcida mista sempre foi de ciência da Polícia Militar do RJ e das demais autoridades públicas, pois é o padrão em competições organizadas pela FIFA e CONMEBOL, como ocorre nas Eliminatórias da Copa do Mundo, na própria Copa do Mundo, Copa América e outras competições. Outros jogos entre Brasil e Argentina, até de maior apelo, como a semifinal da Copa América de 2019, também foram disputados com torcida mista. Não se trata de um modelo inventado ou imposto pela CBF.

Ou seja, todo o plano de ação e segurança foi elaborado e dimensionado já considerando classificação do jogo como vermelha e com a presença de torcida mista, tanto que atuaram na segurança da partida 1050 vigilantes privados e mais de 700 policiais militares da Polícia Militar RJ.

Portanto, a CBF reafirma que foram cumpridos rigorosamente o plano de ação, de segurança e operação da partida, tal qual foram aprovados pela Polícia Militar RJ e demais autoridades.

Por fim, a única recomendação recebida pela CBF de qualquer autoridade pública ao longo de todo o período que antecedeu a partida entre Brasil e Argentina, foi uma recomendação do Ministério Público, da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, para que ‘NÃO realizem partidas de futebol no ano de 2023 com o formato de disponibilização da carga total de ingressos através de um tíquete eletrônico apresentado mediante exibição do aparelho de telefonia celular, tal como ocorrido na partida da final da Copa Libertadores no dia 04 de novembro de 2023’ e que ‘Exijam no ano de 2023 dos torcedores que se aproximem das catracas a exibição de evidência física (tíquete de papel e/ou cartão de sócio torcedores) de que o torcedor possui um tíquete de ingresso para se aproximar das catracas do Estádio Mário Filho – Maracanã, de modo a evitar a invasão de torcedores que não possuam ingressos para assistir à partida.’”



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